8 Erros Comuns ao Projetar Ambientes Corporativos — e Como Evitá-los

Todos sabemos que um espaço de trabalho, planejado de forma eficiente, influencia diretamente na produtividade, colaboração, retenção de talentos e percepção externa da marca. No entanto, muitos projetos corporativos ainda são conduzidos com foco excessivo na ocupação do espaço e pouco alinhamento às reais necessidades da empresa e de seus colaboradores.

Neste artigo, baseado nos mais de 20 anos de experiência da Nuque em projetos corporativos, reunimos os 8 erros mais comuns em projetos e orientações práticas para evitá-los.


1. Desconsiderar a Colaboração entre Áreas Interdependentes

Embora estudos mostrem que ambientes que promovem interações interdisciplinares são capazes de aumentar a produtividade em até 20% (Harvard Business Review, 2020), um dos principais erros, ao projetar espaços corporativos, segue sendo a elaboração de um layout baseado em estruturas departamentais, sem considerar como as áreas se relacionam na prática.

Como evitar: Através de um estudo de Test Fit, é possível mapear os fluxos de trabalho reais entre as equipes. Baseado em entrevistas com times e lideranças podemos identificar essas conexões invisíveis, posicionando áreas interdependentes próximas umas das outras para maior interação e produtividade.


2. Não Criar Espaços para Conexões Espontâneas

Segundo a MIT Human Dynamics Lab, equipes com mais interações informais apresentam desempenho até 35% superior, uma vez que a inovação muitas vezes nasce fora das salas de reunião. Quando o espaço não favorece interações informais entre diferentes áreas, perde-se a oportunidade de gerar ideias, insights e relacionamentos interdepartamentais.

Como evitar: Inclua áreas de convivência estratégicas — como cafés integrados ao espaço de trabalho, lounges ou até escadas ativas com pontos de parada — para estimular encontros casuais.


3. Não Refletir os Valores, Propósito e Identidade da Marca

O ambiente físico comunica, mesmo quando não há ninguém falando. Um espaço que não expressa a identidade da empresa perde a chance de fortalecer o engajamento interno e a percepção da marca junto a visitantes e parceiros.

Como evitar: A arquitetura e o design de interiores devem ser guiados pelos brand guidelines. Isso inclui não apenas elementos visuais (cores, grafismos, tipografia), mas também o propósito, os valores e o tom de voz da empresa. Ambientes que reforçam a cultura organizacional contribuem diretamente para a motivação dos colaboradores e atração de talentos.


4. Subestimar o Impacto da Acústica na Produtividade

Ambientes visualmente atrativos, mas acusticamente desconfortáveis, comprometem significativamente a concentração. Ruídos excessivos são apontados como o segundo maior fator de estresse no trabalho, atrás apenas da sobrecarga de tarefas (Leesman Index, 2021).

Como evitar: Utilize materiais com absorção sonora — como painéis acústicos, carpetes, forros perfurados e divisórias com preenchimento — especialmente em áreas abertas. Também é fundamental separar áreas colaborativas de zonas de concentração e oferecer alternativas, como cabines individuais.


5. Ignorar as Diferenças Entre Áreas Colaborativas e de Concentração

Projetos que adotam um único modelo de layout (como o open space) ignoram as diferentes necessidades das funções dentro de uma organização. Isso reduz a eficácia tanto de tarefas colaborativas quanto das que exigem foco intenso.

Como evitar: Implemente um modelo híbrido de layout, com zonas colaborativas (mesas compartilhadas, salas informais) e zonas de alta concentração (cabines acústicas, salas individuais). Pesquisas apontam que ambientes com múltiplas tipologias aumentam a satisfação dos usuários em até 36% (Steelcase, 2022).


6. Errar na Iluminação

Iluminação inadequada é uma das principais causas de fadiga ocular, dores de cabeça e baixa produtividade. A ausência de luz natural ou o uso exclusivo de luz branca fria pode tornar o ambiente opressor e monótono.

Como evitar: Priorize a entrada de luz natural e complemente com iluminação artificial adequada ao tipo de atividade. Utilize luzes com temperatura entre 3.000K e 4.000K em áreas de concentração, e mais quentes em espaços de convivência. Um estudo da Future Workplace aponta que 78% dos profissionais dizem que o acesso à luz natural melhora seu bem-estar.


7. Não Considerar a Sustentabilidade do Projeto

Projetos que ignoram práticas sustentáveis perdem a oportunidade de reduzir custos operacionais, alinhar-se a políticas ESG e comunicar responsabilidade ambiental aos stakeholders.

Como evitar: Adote práticas de design sustentável desde o início do projeto:

  • Reaproveitamento de mobiliário existente ou materiais com baixa pegada de carbono
  • Uso de madeira certificada e tintas de baixa emissão de compostos orgânicos voláteis (COVs)
  • Sistemas eficientes de ventilação, iluminação e reaproveitamento de água
  • Planejamento para certificações como LEED ou WELL

8. Não Planejar para o Crescimento e Mudança

Empresas em constante evolução precisam de ambientes que acompanhem suas transformações. Um espaço estático, projetado apenas para a situação atual, rapidamente se torna obsoleto.

Como evitar: Desenvolva um layout modular, com estações móveis, divisórias reposicionáveis e infraestrutura flexível. Isso permite reconfigurações rápidas com baixo custo, conforme a empresa cresce ou muda sua estratégia de atuação.

Um projeto corporativo eficaz é aquele que vai além da estética. Ele é estratégico, funcional, sustentável e profundamente alinhado com a cultura organizacional. Ao evitar os erros apresentados, podemos criar espaços que não apenas otimizam operações, mas também inspiram pessoas e reforçam sua identidade no mercado.

Quer repensar o espaço da sua empresa com visão, técnica e propósito? Fale com a Nuque e comece hoje a projetar um ambiente que reflete o futuro da sua marca.

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